O que é artrose de quadril? Entenda as causas, sintomas e tratamentos

O quadril é uma articulação formada pela junção dos ossos da coxa (cabeça do fêmur) e da cavidade da bacia (acetábulo). Assim como nas outras juntas do nosso corpo, este encaixe acontece de maneira perfeita, milimétrica, o que permite uma movimentação correta e sem dor.

O problema é que essa importante articulação pode apresentar algumas doenças que provocam desgaste e a perda da cartilagem, ocasionando atrito, causando dor e diminuição de movimento.

Em termos genéricos, a artrose de quadril nada mais é do que o desgaste ou a perda da cartilagem da articulação.

Em todas as juntas do nosso corpo, temos cartilagem, um tecido branco e liso que cobre a ponta dos ossos.

Este tecido possui algumas capacidades específicas, sendo que a mais importante é a de não sentir dor. Por isso, conseguimos movimentar as mãos, dedos, cotovelo, joelho, sem dor alguma. Graças a cartilagem presente entre as juntas, que é indolor.

Porém, após uma fratura, trauma, uma malformação ou doença, a cartilagem pode se lesionar, começar a sumir e, neste momento, começamos a raspar osso com osso. 

E, ao contrário da cartilagem, o osso é um tecido que dói muito.

Por isso, a partir de hoje, toda vez que você ouvir falar em artrose, você vai se lembrar que se trata de perda da cartilagem, que causa dor pelo atrito dos ossos.

A artrose do quadril pode também receber nomes específicos como coxartrose, osteoartrose do quadril, osteoartrite do quadril ou artrite degenerativa do quadril. 

Apesar da diversidade de nomes, todos estes termos remetem a um mesmo problema.

O que causa e quais os tipos de artrose no quadril

Existem duas formas básicas da cartilagem do quadril ser lesionada e a artrose acontecer: a artrose primária e a artrose secundária.

Artrose primária

A artrose primária, também conhecida como idiopática, acontece, na maioria das vezes, em pacientes idosos, preferencialmente em mulheres, por causa do desgaste da cartilagem sem nenhuma causa específica. 

São os casos que apesar de uma investigação detalhada, não se chega a uma conclusão do que gerou a perda de cartilagem. Este tipo de artrose está associado a histórico de pessoas da mesma família e antecedentes genéticos.

Coxartrose secundária

Já a coxartrose secundária acontece tanto em idosos como em jovens. É o resultado final de uma doença no quadril. Ou seja, o indivíduo deve obrigatoriamente ter alguma alteração prévia que desencadeia o surgimento do desgaste.

Abaixo estão as principais causas de alteração articular que levam à coxartrose secundária:

  • Displasia do desenvolvimento do quadril: também conhecida como luxação congênita do quadril. Acontece no nascimento de crianças com diminuição da profundidade da cavidade da bacia que pode até deslocar a articulação do lugar.
  • Doença de Legg-Calvé-Perthes ou necrose da cabeça femoral em crianças: ocorre falta de suprimento de sangue com achatamento da cabeça do fêmur e alteração do formato correto da articulação.
  • Sequela de fratura: a articulação é um encaixe justo e perfeito, qualquer fratura que ocorra nela pode gerar alteração no movimento com sobrecarga e perda de cartilagem.
  • Reumatismo: algumas inflamações ligadas a reumatismos podem destruir a cartilagem.
  • Necrose da cabeça do fêmur: em adultos, algumas condições levam a uma perda de fluxo de sangue para a cabeça femoral gerando achatamento e alteração de formato da articulação.

Sinais e sintomas da artrose no quadril

Como o desgaste é uma doença de progressão lenta, os sintomas geralmente se iniciam de maneira leve e se agravam com o passar do tempo.

Os primeiros sintomas são de dor localizada no quadril, geralmente na parte interna da coxa, podendo ir para a virilha. Em algumas pessoas, a dor pode irradiar até a região do joelho, dando a sensação de que o problema maior se encontra na coxa e não no quadril.

A dor piora com esforços em pé, movimentos ou atividades físicas e melhora levemente com o repouso.

Com o passar do tempo, a articulação bloqueia o movimento, o que pode limitar a movimentação normal do quadril, impedindo atividades simples, como cruzar a perna, calçar sapato ou cortar as unhas.

Os 7 principais sinais e sintomas da artrose de quadril:

  1. Dor em torno da articulação do quadril, que pode irradiar para a região da virilha.
  2. Dificuldade para permanecer em pé muito tempo ou para caminhar.
  3. Rigidez articular, com incapacidade para cruzar as pernas ou calçar meia.
  4. Mancar ao levantar-se da posição sentada.
  5. Estalidos e sensação de crepitação na articulação.
  6. Dificuldade para sentar em sofá ou cadeira baixa e sair do carro.
  7. Com o passar do tempo, a doença pode se agravar e o desconforto pode permanecer mesmo com o quadril em repouso, principalmente a noite.

Diagnóstico e exames da artrose no quadril

A avaliação do paciente com hipótese de artrose de quadril inicia-se pela conversa com médico especialista. Ele tentará confirmar a doença e descartar outras alterações ou problemas relacionados.

Geralmente, o exame inicial é a radiografia da bacia. Com ela é possível ver a diminuição do espaço onde se tem cartilagem na articulação.

Diferença de exame de radiografia de bacia para radiografia de quadril

A radiografia de bacia mostra todos os ossos da pelve incluindo as duas articulações do quadril. Ela é a mais utilizada pois conseguimos ter uma visão mais ampla da bacia, além da possibilidade de comparar os dois lados do encaixe da cabeça do fêmur com a pelve.

Radiografia de bacia

A radiografia de quadril é feita apenas de um dos lados. Ela é utilizada em posições específicas para detalhes do encaixe da articulação.

Radiografia do quadril

Em casos de lesões iniciais ou pequenas de cartilagem, a ressonância nuclear magnética é o melhor exame, pois a radiografia é incapaz de demonstrar estas lesões. Mas ela não precisa ser solicitada se o desgaste já estiver avançado.

Exames de sangue também podem ser importantes se existir a hipótese do desgaste ter sido causado por algum tipo de reumatismo ou infecção.

Tentar saber o porquê do início da artrose é muito importante, porém, em idosos, a causa nem sempre é encontrada e na maioria das vezes se deve à artrose primária.

Como tratar a artrose no quadril?

Para tratar a artrose de quadril, é fundamental tentar entender e determinar a sua causa.

Algumas doenças que alteram a cartilagem desta articulação, como malformação da cabeça do fêmur ou necrose da cabeça do fêmur, apresentam bons resultados com tratamentos bem específicos. 

Uma avaliação minuciosa é capaz de diferenciar entre as diversas causas da artrose e guiar o melhor recurso disponível para o tratamento.

Outro exemplo disto é o reumatismo, um processo autoimune, no qual o organismo produz células de defesa contra ele mesmo e pode acabar destruindo algumas articulações, entre elas, a do quadril. 

Para patologias deste tipo, o primeiro tratamento a ser feito é a diminuição da resposta do corpo. Só depois que o corpo para de reagir contra a articulação é indicado o tratamento da lesão da cartilagem.

Sabendo destas particularidades, de uma maneira geral, o tratamento da artrose pode ser dividido em não cirúrgico (conservador) e cirúrgico.

Tratamento conservador

Geralmente é o tratamento inicial e envolve a compreensão de uma série de fatores que influenciam na melhora da lesão de cartilagem. Para cada paciente existe uma terapia específica. 

Veja os 9 principais tratamentos para um paciente com desgaste no quadril:

1) Uso de medicação anti-inflamatória

Para pacientes com crises de dores fortes e agudas, os anti-inflamatórios auxiliam na diminuição rápida da inflamação. Pacientes com este perfil de dor se beneficiam deste tratamento.

2) Medicação para dor crônica

Alguns medicamentos, principalmente da classe dos antidepressivos, podem auxiliar no controle da percepção da dor. Isto porque quando o corpo apresenta dor por mais de três meses, ele acaba ficando tão sensível ao estímulo doloroso que às vezes sente dor quando não há nem mais lesão acontecendo.

3) Protetor de cartilagem

Algumas medicações e suplementos são capazes de melhorar a mobilidade das juntas e com diminuir levemente a inflamação dentro das articulações. 

Estes medicamentos são genericamente chamados de condroprotetores ou protetores de cartilagem. Mas veja bem, eles não produzem cartilagem, apenas melhoram o ambiente da articulação. No mercado estão disponíveis medicamentos como diacereína, condroitina, glicosamina, extrato seco de abacate, cúrcuma, colágeno.

4) Alimentação

Ainda existe muita controversa sobre este tema, mas alguns artigos já apontam para um caminho em comum. Quem tem problemas articulares deve evitar três tipos de alimentos:

  • O consumo exagerado de açúcar processado pode aumentar as enzimas da inflamação e piorar a dor articular.
  • Gordura saturada, como as encontradas em pizza e carne vermelha gorda causam alterações no tecido de gordura do corpo, que também é responsável por um processo constante de inflamação no sangue. Além disso, podem contribuir para o aumento do peso e para a obesidade.
  • Carboidratos refinados, presente em pães e petiscos industrializados aumentam a produção de substâncias oxidantes.

5) Controle do peso

As gorduras em excesso no corpo, além de causar uma sobrecarga de peso na articulação, liberam muitas substâncias que contribuem para a permanência de um estado inflamatório crônico no organismo. Isto contribui para que as articulações fiquem vulneráveis a doer com maior facilidade.

6) Fisioterapia

Além de ter a capacidade de diminuir a dor, ela pode auxiliar na manutenção da mobilidade articular, recuperação da musculatura e é fundamental para evitar alterações de função da perna provenientes do desgaste, como mancar.

7) Fortalecimento muscular

A diminuição da mobilidade do quadril pela artrose, geralmente leva a uma diminuição muscular pelo desuso. O fortalecimento da musculatura, nos períodos sem crise de dor, pode ajudar a estabilizar a articulação.

8) Atividade física

Manter uma atividade física leve, sem impacto e com movimentos não tão grandes da articulação pode fazer a cartilagem que ainda existe no quadril durar mais.

9) Infiltração

A infiltração no quadril é uma técnica empregada para auxiliar no tratamento de muitas patologias ortopédicas que acometem esta articulação. 

Ela pode ser aplicada nas estruturas ao redor, como na musculatura, nervos e tendões ou diretamente dentro da articulação. Várias substâncias podem ser injetadas no quadril. 

Algumas são responsáveis pela diminuição da inflamação, como no caso de corticoides, enquanto outras, por melhorar a articulação, como o ácido hialurônico.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico pode ser conduzido de formas diferentes. A determinação do tipo de procedimento cirúrgico se deve considerar idade, causa da doença, atividade do paciente e amplitude de movimentos.

Para pacientes jovens, com lesão leve de cartilagem e alteração do formato correto da articulação do quadril, existem as cirurgias preservadoras.

As duas cirurgias mais comuns que preservam a articulação do quadril são:

Reposicionamento dos ossos do quadril

O procedimento é chamado de osteotomia e está indicado principalmente nos casos de displasia do quadril ou déficit de cobertura da cabeça femoral. É um procedimento agressivo, mas quando bem indicado, resulta em preservação dos componentes articulares por muitos anos.

Videoartroscopia de quadril

Um tipo de cirurgia minimamente invasiva realizada com duas ou três incisões de 1 a 2 centímetros. São colocadas câmeras e instrumentos específicos para reparação de cartilagem e, se necessário, melhorar o ajuste ósseo do quadril.

É indicado principalmente quando existe excesso de osso na articulação do quadril, chamado impacto femoroacetabular. Esta patologia ocorre principalmente em adultos entre 20 e 40 anos e praticantes de atividade física.

Não se tem uma terapia única para o tratamento das lesões de cartilagem. Hoje, técnicas modernas de preservação articular com terapias biológicas e suplementação estão ajudando a manter a articulação saudável por mais tempo. 

Estas terapias, quando associadas a fortalecimento e movimentação controlada podem reduzir a inflamação e amenizar a dor.

Nos casos avançados de desgaste de cartilagem, a doença é considerada progressiva. Acompanhamento com equipe especializada e multiprofissional faz com que estes pacientes tenham qualidade de vida.

Porém, para algumas pessoas a troca completa da articulação pode ser indicada com a colocação de prótese.

Cirurgia de prótese no quadril

A cirurgia de prótese de quadril não deve ser vista de forma negativa ou algo a ser evitado a todo custo.

Existe uma indicação e um momento preciso para cada pessoa. Este tempo é determinado pelo paciente, com a ajuda de profissionais capacitados, com ajuda de uma conversa franca.

O principal objetivo da prótese é preservar a movimentação da articulação, retirar a dor e garantir qualidade de vida.

A cirurgia nada mais é do que a substituição completa da articulação por componentes artificiais que se movimentam entre si. E, como a prótese não tem receptores de dor, o paciente consegue caminhar sem sentir nada.

As atividades cotidianas geralmente estão liberadas entre 30 e 60 dias com leves adaptações. Com 3 meses de cirurgia, o organismo já está bem adaptado.

Após este período, atividades físicas como caminhada, ciclismo, natação, hidroginástica, musculação, pilates são recomendadas e devem ser incentivadas.

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